Eu estava assim, meio entediada e resolvi procurar no Orkut umas amigas dos tempos de ensino fundamental. É fato que o choque foi forte. Aquelas fotos de baladas lounge, jantares e roupas que nem minha vó usa, foram um ataque ao meu modo de vida. E eu que me achava tão moderninha, tão saidinha, tão sociável… credo! Até comecei a rever meus conceitos e passar a trocar o cd dos Los Hermanos por algum Dj de nariz empinado e sotaque arrastado. Comecei a achar minha vida assim, tão sem gracinha, tão sem emoção e cheia de etiquetas amarelas de lojas de departamento. Eu não tomo Martini e nem mesmo sei exatamente o que é, eu não pago mais de R$20 em baladas (precisa ser muito boa e no começo do mês), eu não ganho um carro 0km de 18 anos e tenho a obrigação de passar na Federal. Meu namorado também não tem uma conta bancária infinita, aliás, eu nem sequer tenho um namorado! Meu celular não voa, meu tênis não anda sozinho e minha unha é made in home. Eu durmo de moletom e minhas meias são coloridas, isso é feio? É feio acordar de cabelo bagunçado? Comer arroz e feijão? Ficar feliz por poder comer paçoca nessa época do ano? Eu não acho. Eu me acho bem bonita assim. Eu me sinto muito mais completa e muito mais feliz! Eu gosto de ficar em casa escrevendo aqui no blog e… Puxa! Como eu fico feliz em ser elogiada mesmo sabendo que estou vestindo meias de dedinhos. Eu entro no ônibus e cumprimento o motorista e o cobrador e eu também agradeço antes de descer. Será que gente bonita, rica e sociável… é simpática? Puxa vida! Minha vida não é sem graça nada! É muito mais emocionante perder o ônibus e esperar 15min em pé. È muito mais gostoso comer o arroz e feijão da minha mãe. Assim como também é muito mais romântico saber que ele gosta das minhas meias de dedinho, do meu cabelo bagunçado de manhã cedo e dos meus desejos de comer paçoca em Junho. Ai, como eu sou feliz vestida com roupas de etiquetas amarelas e… Puxa! Como eu rio sem ter vergonha quando esqueço de arrancá-las da roupa!