Para não perder o costume de inspirar e me fazer citar cantoras mulheres, Karina Buhr soltou essa frase no fone esquerdo do iPod: “Depois de tanto verbo, a pessoa morre”. Depois de tanto amar, sentir, sofrer, andar, falar, pedir, correr, ler, escrever, viver, ouvir, chorar, gritar, ferver, esfriar, mergulhar… A pessoa morre.

Morre como morre o lápis depois de preencher tantas páginas do bloco amassado do jornalista que o carrega no bolso. Morre como morrem as nossas esperanças em sermos exatamente aquilo que sonhamos quando crianças. Tenho um desejo um pouco oprimido de perguntar às pessoas o que elas um dia quiseram ser de verdade, mas só escuto os avessos do presente. Desistimos?! Seria esse o verbo fatal?

Depois de tanto desistir, a pessoa morre?