Antonio aproveitou que eu estava sozinha na sala de leitura, que fica logo abaixo da escadas dos quartos, e entrou silencioso até sentar ao meu lado e demonstrar-se um tanto inquieto. Diga, Antonio, o que quer? O garoto e seus 7 anos de idade perguntou-me aquilo de mais complicado no mundo: por que minhas mãos suam quando estou ao lado de Emanuelle? Fraquejei. Ele me pegou de surpresa e completamente desarmada, nunca imaginei que aquele seria o dia de explicar a ordem do caos da vida para um garoto à beira do início de seus conflitos emocionais. Emanuelle era vizinha, amiga e colega de escola do meu querido Antonio. Sempre gostei muito da menina e até causara um certo alívio saber de quem estávamos falando naquele momento. Temo pelo dia que ele irá falar de colegas que eu jamais irei conhecer. Antonio, querido, suas mãos suam porque gosta demais dela. Está nervoso para que tudo ocorra bem nos momentos em que estão juntos. Insatisfeito com a resposta obvia demais, Antonio me pressionou a explicar finalmente o que era aquela palavra de quatro letras que era deveras repetida por pessoas que leem demais como eu. Emanuelle tem essa palavra em si? Não, quem tem é você, e talvez ela, mas principalmente você. Temos que nos acostumar a engolir palavras sozinhos. É possível que Emanuelle nunca vá gostar de você, é possível que vá, é possível que te enrole com frases sem sentido e o deixe ainda mais confuso, mas é preciso se precaver. Suamos porque temos medo de não se correspondidos. Até hoje suo. Suo nas mãos quando desejo muito ter alguém nelas, além desse calor todo que sentimos. Suei, e muito, quando precisei contar para o seu avô que estava grávida de você. Tive medo dele não corresponder todo esse amor que juntos poderíamos dar a ele. Se afastar, fugir, não ser mais o mesmo. É isso que é o sintoma da palavra de quatro letras, que você tanto se bate para compreender. Acostume-se, Antonio. Muitos suores virão. Só peço, por favor, para não me pegar desprevenida assim novamente. Temo que seu próximo suor será mais complicado de explicar.