A caixa preta de imagens como artifício egoísta. Elas, que agora fazem televisão e pouco se importam com os colegas de profissão que fugiram para meios mais tradicionais, se debatem em suas próprias deficiências e limitações. Escravas da comodidade, alérgicas às ruas e aos entrevistados mal vestidos. O grupo das pessoas limpas e presunçosas, que se enxergam no direito de ganhar salários generosos pela exposição de suas aparências.

Do outro lado: Eu, borbulhando de curiosidade para entrar em lugares ainda não conhecidos, falar com pessoas emudecidas por qualquer pressão hierárquica do atual sistema, reconhecendo cada vez mais minhas prioridades e exercitando malabares com o tempo. Preciso dele, porque aqui, nos fundos do jornalismo maquiado, vive um jornalismo apressado e sem tempo para pentear os cabelos.

Os bastidores. Aquele lugar inóspito, entupido de gente sem tempo de ver o filho, a mãe, o tal cara ou a tal mulher por quem esperou a vida toda. Todos orientados a seguir seus instintos e aprender a falar sobre tudo, não ter vergonha, nem preconceito, vivendo uma vida de cão em meio a tantos telefones tocando e se esforçando para manter a vitalidade da esperança que reina dentro dos que tem boa vontade.