Desde sempre tive essa vontade descontrolada de escrever sobre qualquer coisa. Tá certo que somente de uns anos pra cá que conheci a fascinante internet e todo o seu infinito espaço para escrever quantos caracteres quiser, mas desde sempre gostei de fazer isso. No entanto, eu tinha que me conformar com meus cadernos e suas contracapas, bloquinhos e livros que eu mesma inventava colando folhas de sulfite umas nas outras ao longo dos meus 6 ou 7 anos.

Pois então, aí você cresce, conhece a internet, abre um blog, cuida dele, se esforça para não apagar aqueles textinhos chulé que você rabiscou cinco anos atrás e surta de saudades quando está em semana de provas, ou com freelas empilhados na mesa que te impedem de se aproximar da palavra “Login”. Até o dia em que… Sua irmã lhe dá de presente um moleskine preto, sem linhas, leve suficiente para carregar na bolsa ou enfiar no bolsinho da jaqueta. Desde então você se acostuma com dois mundos paralelos: o do papel e o da tela. Em um, você brinca de escrever o que quiser e como quiser. No outro, você se segura para não escrever aquela putaria que sempre sonhou escrever, já que seu chefe ou sua mãe podem a qualquer momento querer ler seu “diário” e então a casa pode cair.

Mas mesmo assim a vontade não para. Diversas vezes larguei, abandonei, fechei, bloqueei, ou só ignorei o tal do blog, com a velha desculpa da falta de inspiração, mas volto. A gente sempre volta, porque o desafio de digitar na mesma velocidade da mente é quase maior do que a nossa vontade de viver, de amar. É aí que chegamos ao ponto de onde eu queria partir (mesmo que tenha enrolado mais de três parágrafos para chegar nele): Amar.

O amor, a paixão, a vontade inquietante de gritar para o mundo todo o que se passa no peito sempre foi algo que me atraiu em livros, blogs, revistinhas e revistonas. O tal do amor torto, meio sem explicação e que acontece sem querer. O tal do amor perfeito, que quase dá pra sentir o cheiro por debaixo da porta quando se passa no corredor. O amor sem querer, sem poder, sem ver. Todos eles, todos eles e tudo que leva a eles: Fotos, música, poesia, cartas, declarações. Coisas e atitudes com “mimimi” romântico, ou “blábláblá” sem vez. Tudo muito indescritível.

Indescritível, talvez por isso que se sinta tanto prazer em falar sobre o amor. Uma coisa abstrata, a qual se toma inúmeras formas e nunca se define uma coisa só, uma única explicação ou teoria. Temos sede de descobrir, mas só se descobre bebendo. Às vezes é um veneno, às vezes é uma poção, às vezes é tão doce, ou tão amargo, que traumatiza. O amor como algo solúvel em atmosferas heterogêneas.

Está vendo? É possível até mesmo descrever com um jeito bonito, científico e esquisito, que também é amor do mesmo jeito que aquela canção no piano que você fez aos 10 anos. Tudo que é bonito em sua forma singular de ser, é amor. Um sentimento que escancara minha fraqueza de achar que nunca o senti suficientemente por um homem, mas transbordo eternamente por meus pais e meus irmãos. Como podemos dizer que não sabemos  que é amor e não conseguimos descrevê-lo em nossos moleskines, se o respiramos o tempo todo?