Não adianta sentir saudades dos chás e das luvas pretas emprestadas em dias frios. O que dói dentro de mim pinica ainda mais que essa lã. Esqueci-me de copiar o CD, te devolvi antes que esquecesse pra sempre comigo. Quer saber? Eu deveria ter feito assim. Talvez fosse a única solução para ainda ter algo de ti comigo, que não fosse só a ausência e a saudade. Não sei o motivo de nunca mais te ver, mas é possível que essa seja mesmo a melhor forma de me fazer esquecer todos os sonhos e planos que fiz para os dias seguintes. Dias, porque você me ensinou a pensar mais com o agora do que com o coração. Se eu pensasse com ele, faria planos que durariam milênios ao seu lado. Seria exagero, não é?  Fica mais bonito dramatizar assim.

Dá para imaginar que você se lembra de mim vez ou outra, porque há muito em nosso cotidiano que remete conversas passadas. Isso é engraçado, não é? Porque mesmo assim não há vontade alguma de esbarrar comigo e conversar. É preferível manter o silencio e o espaço que não diz nada. Inquietar-se sempre foi nosso melhor adjetivo. Ao menos quando estávamos juntos, porque agora eu falo demais, sabia? Falo, que é pra ocupar a falta de fala que me lembra de você.

Isso é pura saudade. Eu sei e admito que sinta intensamente, porque não há nada mais bonito que uma menina implorando pela volta das conversas madrugueiras e da companhia de um homem que nunca foi seu. A dor dessa mulher que sente saudade é quase tão encantadora quanto a que você sempre conheceu. Agora você me olha?!