Ele não a entende. O que essa mulher quer? O que essa mulher tem? Não era para ele estar naquele bar, não era para encontrar ela, não era para relembrar paixão antiga, mas ele foi, ele a encontrou e ele relembrou. Durante a noite toda ele pensa o que fez ela voltar depois de dois anos, mas enganava a si mesmo esquecendo o quanto essa garota era complicada. Ela nunca o elogiou, nunca deu indiretas provocantes, não era como outras mulheres. Ela somente agradecia com um sorriso retangular de criança todos seus esforços masculinos. Sobe aqui, dança comigo, deixa eu te pagar uma bebida, vamos sair amanhã, como é bom te reencontrar, você está linda, deixa essa noite por minha conta. Ela só ria, ela só dançava e ria. No fim da noite ele conseguiu, roubou um beijo. Como era bom, como era macio. Ele não entendia como e porque agia como um adolescente, uma mulherzinha apaixonada. Ela era tudo que ele queria. Só não sabia descrever esse tudo. Ela tinha os olhos mais bonitos daquele bar, castanho-escuros, redondos, extremamente brilhantes. Ele queria levá-la em casa, pagar mais uma bebida, causar. Tudo para impressionar, para amanhã ela atender o telefone e aceitar um café. Essa garota complicada que faz tudo como se fosse natural e indiferente. Eu ali, me derretendo, achando tudo maravilhoso, dizendo as coisas mais lindas e ela só sorria. Que mulher não gosta de ser elogiada? Que mulher não gosta de mimos, carinhos e beijos apaixonados? Ela. Ela não fazia questão de nada disso, mas ele não sabia. Nem ela. Diria mais, ela era a que menos sabia o que queria ali. Se duvidar, desejava não relembrar caso antigo, acordar no dia seguinte e estar indiferente como nada tivesse acontecido, poder seguir sua vida normalmente e fazer ele voltar a ser o caso de dois anos atrás. Foi exatamente o que ela fez, sem ao menos perceber, o dia de ontem era ontem e o de hoje já tinha cara de amanhã.