Entre todas as coisas que costumam ocupar minha cabeça no final de ano, estão as famigeradas provas finais e o temido desafio de reunir minha família tipicamente italiana para uma reunião tranquila. Claro, ainda tem aquela tarefinha chata de montar a árvore de natal e calcular bem o tempo e o dinheiro para a virada de ano na praia. Mesmo que a gente reclame um pouquinho dessas coisinhas pequenas que todo ano fazemos, há de se fazer um retrospecto mental um bocado divertido de como foi passar esses últimos 365 dias. Digo divertido porque por mais que existam coisas chatas, perdas, saudades, sempre existe um montante de momentos engraçados e felizes. Sempre existe! É só olhar com mais calma…

 

Calma para lembrar que não existe uma fórmula exata, muito menos um manual, que nos indique a melhor forma de se viver e passar por esses 12 meses sem nenhum sintoma de loucurinha. Tanto não há que certos meses passam voando e outros demoram quase o ano todo. Aliás, ainda parece que estou vivendo aquele julho infernal e inacabável. Sorte que vez ou outra olho para esse calendário da mesa e suspiro aliviada, último mês do ano! Mesmo que no dia seguinte do réveillon tudo comece de novo. É um alívio de recomeço, de missão cumprida, página virada. Ano novo, vida nova e todo aquele mimimi de sempre.

 

O fato é que mudar o último algarismo na data do bloquinho faz toda a diferença. Sentimos que tudo pode começar de novo, que estão nos dando uma nova chance de fazer tudo igual ou tudo diferente, rir mais ou menos, chorar mais ou menos, ou mesmo levar a vida assim… Mais ou menos. Tudo depende de como você levará seus próximos dias e está aí a graça de se terminar e começar um novo espetáculo vital. Nessa brincadeira dá até pra abrir um sorrisinho discreto quando vemos aquelas prateleiras da livraria cheias de agendas datas com o ano seguinte. Ufa, está chegando a hora de olhar para aquelas folhas em branco e preencher com os próximos dias, que só saberemos ao viver, ao esperar para viver. Não é gostoso? Saber que agora, nesse finalzinho de dezembro, só resta esperar o ano terminar como se ele fizesse isso sozinho e não dependesse de ninguém. Nem mesmo dessa sua decoração natalina, ou do peru mais barato do mercado, ou da família reunida. Até mesmo desse papo todo de fim do mundo, porque se existe uma coisa boa em terminar e começar os anos, é esse negócio bobo que a gente tem de planejar, mesmo sabendo que risada e choro não se planejam, mas se sonham! Bota sonho nisso!