Alívio, desgaste e anos depois a guerra de egos finalmente acabou

É irritantemente difícil admitir que seu inimigo é bom em algo que você não é, ou é suficientemente bom para ser comparado a você. Depois de passar por uma extensa experiência acerca do ego humano enquanto estive na faculdade de comunicação (terreno mais fértil não há) descobri que existe uma coisa pior que viver neste conflito com seu inimigo: Viver neste conflito com seu amigo.

O desafio do século é buscar admitir que seu amigo é seu ídolo na mesma arte da qual você se esforça em ser o melhor. Até mesmo porque admitir que ele é seu ídolo o colocaria automaticamente em um patamar acima do seu. Há quem diga que sabe lidar com isso muito bem. Eu, entretanto, permaneço duvidando mundos e fundos.

Eis que me peguei pagando todos os pecados em uma simples vontade súbita que deu de ler o blog de uma antiga amiga. Sabe Deus se essa vontade veio por nunca mais tê-la visto, fato que a torna uma quase ex-amiga, ou por ter superado esse conflito interno de negação. Negava que ela era melhor que eu e negaria até hoje que um dia seus textos me inspiraram, mas algo mudou.

Cliquei, abri, li tudo como eu estava interessada e descobri em mim um novo fôlego nessa brincadeira que é tentar escrever como profissão. Viver da sua própria cabeça é deveras cansativo e parece esgotar as ideias, uma fonte que até então eu achava inesgotável.

Esgotou, mas logo deu alguns suspiros para mostrar que ainda resistia bravamente dentro de mim e bastava ler um bom texto que essa inspiração enfim seria novamente ativada e exibiria uma louca vontade de rabiscar o caderno.

Reli o blog quase inteiro, virei do avesso e sacudi para ver se nada mais de minha amiga restava ali. Tive a sensação de estar usando o cérebro dela por alguns segundos e escrevi poucas palavras que foram um bocado semelhantes às publicadas por ela.

Adicionei o endereço aos favoritos e me livrei da sombra do ego, assumi para mim mesma a admiração. Admiti que fosse sua fã e senti ali um breve alívio, pois agora eu poderia dizer que conhecia minha ídola e era sua amiga, ao invés de ser somente sua amiga e não idolatrá-la.