Foram três rosas lindas, deixadas em uma garrafa de plástico, sem rótulo, na porta da minha casa. Imagino exatamente a cena dele chegando ali, estacionando o carro, deixando na porta e saindo, puxando as calças que agora estão um pouco largas já que nós dois emagrecemos durante todo esse período crítico que foi o fim do nosso namoro. Imagino também a vizinha passando por ali minutos depois e notando o delicado gesto de quem pede por mais uma chance, mesmo sem saber que era isso que ele estava pedindo.

Eu tive semanas de raiva profunda de todos os homens da face da Terra, enquanto tentava me convencer de que ele não foi nada na minha vida e me perguntando o que foi que passou na minha cabeça quando resolvi me aventurar e deixei entrar na minha casa um homem que conheci tão impulsivamente. Odiei ele e os outros. Pensei em viajar, em rever meu primo que mora na Canadá, em largar tudo e viver longe dos livros que ele me deu e estão bem em cima da minha escrivaninha, me fazendo lembrar tudo o que aconteceu. Eu fiz isso e, por algum motivo que até agora desconheço, também odiei todos os amigos dele. Não sei, foi um ato involuntário, passou rápido, juro!

Tivemos outros encontros, tentamos superar, fingir que havia outro jeito de rir de tudo que aconteceu, mas não deu. Não consigo lidar com o jeito dele e ele não consegue lidar com o meu. Não temos nada em comum e não existe nenhum motivo para insistir, além da nossa teimosia. Todo mundo nos avisou que não ia dar certo, mas a gente não ia deixar barato, não é? Pois é, por isso tudo acabou assim. Ao invés de esperar, a gente deu com a cara na parede. Ridículos. Fomos completamente ridículos, se me permite dizer.

Às vezes a gente surge de surpresa, voltamos a nos questionar sobre nossas falhas e eu tento não me deixar levar. É preciso que fique claro que existe algo errado na maneira com que tentamos fazer as coisas darem certo para nós como um casal. Eu não me arrisco em repetir o mesmo erro. Então tento prolongar o fim, o tal do ponto final, porque não quero acreditar que não fui capaz de sustentar o amor que ele me deu de presente. Não quero acreditar que foi um de nós dois que pôs um fim, porque sempre gostamos de mais para querer que isso acontecesse. Mas ele não entende quando eu tento mostrar isso, que fingir que o outro não existe e culpar algo ou alguém não é a melhor maneira de superar um término.

Dessa vez eu cuidei bem das rosas, mas elas secaram porque o sol bate forte no meu quarto de tarde, ele sabe disso. Esses dias, eu estava sentada na cama lendo um livro e notei que elas tinham morrido, eu sabia que uma hora isso ia acontecer. Fiz uma relação meio idiota e clichê com a nossa história e resolvi tirar logo elas da mesa. Fazer isso doeu aqui dentro e eu chorei bastante. Não é fácil admitir que tudo na vida é previsível, tudo tem um fim e quando o fim chega, logo vem parar em um texto meu. Agora eu sinto que, assim como as flores, você também foi embora de mim e virou prosa.