Ando ensaiando pensamentos sobre mim. Rever conceitos, escolher palavras, prever consequências. Vivo fazendo planos e finalmente sinto que devo colocar todos em prática. Às vezes fecho os olhos e posso jurar que estou em outro lugar qualquer do mundo. Em seguida, sinto uma saudade absurda de você, desse quarto, das minhas amigas, ao mesmo tempo em que me sinto finalmente livre de tomar qualquer decisão. Uma saudade boa, saudável, que ao mesmo tempo que dói, faz bem. Desejo continuar sentindo ela.

É fácil imaginar. É só pensar que, como estou longe, não tenho o poder de impedir que nada aconteça. Estou impotente ao curso natural das coisas e isso, por mais engraçado que pareça, não me é nenhum pouco assustador, alivia. Fico então gastando horas com isso, imaginando um momento em que não vou ser influência nas escolhas de ninguém.

Ah, a deliciosa sensação de desprender-se de algo, mesmo que esse algo seja uma coisa inexata, sem forma física ou significado. A rotina cansa, a cidade também, minha cama, sua cama, nossas vidas. Todas essas zonas de conforto que nos transformam em pessoas acomodadas.

Abro os olhos, vejo onde estou, suspiro entendendo que mais uma vez sonhei alto e acordada, como costumo fazer. Nunca estou satisfeita, sempre quero algo diferente. Um novo trabalho, uma nova casa, uma nova profissão, um novo romance, uma nova chance de ser um novo alguém.

Quando finalmente terei coragem de fazer as malas?!