Cinco pessoas pediram para eu crescer na última semana. Uma delas foi a minha mãe, que finalmente visitou o espaço que divide o universo do canto em que eu habito e percebeu que aqui dentro já não existe mais nada que diferencie uma cama de uma mesa, ou de uma poltrona. Já ando sentando na mesa, estudando na cama, dormindo na poltrona e apoiando roupas em tudo. Enfim, ela pediu para eu crescer e botar ordem na bagunça.

A outra pessoa foi a minha nova ginecologista. A doutora arregalou os olhos quando eu disse que minha última consulta foi em 2009 porque desde então três coisas me impediram: plano de saúde, agenda e preguiça. Apavorada com o meu descaso, ela me proporcionou 40 minutos de perguntas constrangedoras, três receitas médicas e um batalhão de exames… o qual obviamente eu jamais cumprirei com êxito. Enfim, ela pediu para eu crescer e cuidar da minha saúde.

Meu ex também não deu ponto sem nó e assinou um email pedindo para eu sumir de vez. Chamou-me de louca, de irresponsável, de apaixonada, de neurótica, de criança por tabela. Não achei exageiro porque ele sempre soube dizer tudo isso com uma sutileza assustadora que sempre me convenceu de que, mesmo com tudo isso, eu era a melhor do mundo. Dessa vez, porém, ele foi mais curto e grosso. Entendi o recado e absorvi a informação. Enfim, ele pediu para eu crescer e sumir de vez.

O banco parece ser o único fiel ao insulto. Nunca escondeu que, para ele, meu saldo sempre foi coisa de criança. Com 21 anos ainda possuo a conta Teen, feita para pré-adolescentes de 13 a 17 anos, e sempre me mantive quieta, posto que enquanto as taxas estivessem baixas eu seria eternamente uma jovem debutante. Até hoje, quando recebi uma carta bonita do banco anunciando (como se eu mesma não soubesse) que minha maioridade já chegou há 4 anos, o que implicava na mudança da conta. Enfim, ele pediu para eu crescer e cavar um buraco maior para me afundar financeiramente.

O atual, coitado, reclamou pela milésima vez do meu elefante de pelúcia na cama. Mandei a merda (porque para isso eu sou bastante grandinha), mas logo depois pedi desculpas e expliquei o valor sentimental que o elefante tem. Sem compreender, ele decidiu aceitar a fim de evitar maiores estranhamentos, mas frisou o recado. Enfim, ele pediu para eu crescer e lembrar da renite alérgica dele.