É amarela, brilhante, leve, fina, flutuante. A ginasta sacode, vira, gira. Movimentos bruscos que eu só consigo ver em câmera lenta. Imagino ali, naquela fita, minha vida escrita com letras miúdas. Sinto minha barriga gelar, sinto o vento que bate na fita, no rosto, bochechas. Abro a boca. Que bobeira! Vida em fita não se sente. Sobe, desce, gira, cai no chão, a ginasta pega. É alguém. Continuo ali e penso qual parte da minha vida está escrita na ponta da fita: Meu início ou meu fim? No fundo a trilha sonora acelera aos poucos e a minha fita, minha vida, história em seda, acompanha. A música termina com um estampido. Seria meu auge? Meu apogeu de alma? A fita acaba ao chão, guardada horas depois em um baú de madeira, com bolas, argolas, bambolês e outras fitas, outras vidas, formas coloridas que juntas buscam sintonia.

Todo espetáculo tem seu fim.