Hoje minha irmã faz aniversário e eu, como boa caçula desnaturada, consegui perder o momento em que meu pais deram parabéns através do Skype pelo simples fato de que eu estava imersa em um sono profundo de uma ressaca infinita. Tenho certeza que ela recebeu meu email atrasado com o mesmo carinho que receberia ao vivo e balançou a cabeça negativamente exibindo tudo aquilo que nos diferencia. Ela, uma garota que anda nos trilhos. Eu, uma garota que não sabe nem se hoje é sábado ou domingo. Já é domingo mesmo? Droga!

Eu e ela nem mesmo nos parecemos fisicamente. Minha irmã é branquinha, de cabelo negro cacheado, magrinha, bem estilo mignon. Eu sou o oposto disso tudo e ainda tem gente que diz que a gente é igual. Igual só se for na bagunça do quarto ou na capacidade de perder as coisas em intervalos inimagináveis. Ah ta, nós também somos campeãs em sofrer mais que a Maria do Bairro. No entanto, considero isso culpa da minha mãe, que nunca negou um colinho nas horas difíceis e nas mais ou menos difíceis e… Bem, nas quase nada difíceis também.

O fato é que a minha irmã está longe, está em Paris, está estudando e ralando pra caramba, mas passou o aniversário na Disney. Tal fato seria suficiente para eu mandar ela a merda e dizer que nós conversamos quando ela voltar. Nada mais justo, já que eu estou congelando nessa cidade maldita que é Curitiba enquanto ela abraça o Pluto e o Pateta.

Mas… sabe o que é? A casa está tão silenciosa, o armário dela não tem uma roupinha pra roubar, a mamãe fica sozinha quando eu emendo a faculdade com algum bar e, obviamente, os biscoitos recheados estão durando nos potes de vidro da cozinha. Além disso, tem um treco desgraçado aqui dentro, um troço esquisito mesmo, não sei o que é. Fui no médico e ninguém diagnosticou, mas tão dizendo por aí que é saudade. Vai saber…