Vestiu sua blusa branca e correu da cama para o espelho. Esfregou bem os olhos borrados de maquiagem e aguardou ser puxada de volta para os lençóis. O tempo todo era assim: ela saia de perto e ele a buscava novamente. Não era o único com quem ela brincava de ioiô. A vida, ou pelo menos seus apenas 20 e poucos anos, não poderia se resumir a somente uma história de amor. Afinal de contas, dentro dela havia afeto e carinho de sobra para distribuir por aí.

Conseguem assustá-la aqueles que falam de casar, juntar os trapos, dividir o mesmo teto. A simples ideia de assumir um compromisso a deixava em pânico. No entanto, ela mesma gostava de tocar nestes assuntos para alimentar a imaginação masculina daqueles com quem saía. Vindo dela, era da boca para fora. Vindo deles, era papo sério.

Sendo assim, ela se tornara a brasileira mais experiente na arte de falar sério brincando e brincar falando sério, assim como responder perguntas de forma tão genérica que, no fundo, fazia com que nada fosse respondido. Nada disso fazia dela tão especial quanto o sorriso moldado no final de cada frase. Se nada convencesse até ali, o sorriso seria seu último artifício.