Isso me dá vontade de fazer tudo, de inventar tudo e de ficar para sempre. Esse negócio todo, todo esquisito, todo estranho, mas que de todo diferente, me deixa toda feliz. Eu gosto desse todo que me invade, desse todo de amora, de café, de água com gás. Um todo vermelho, de bicicleta amarela com uma Canon preta na mão. Olha, eu gosto mesmo disso, desse negócio de se sentir bem. De escrever sobre o presente e não sobre o passado. De deitar na cama e pensar no amanhã, no depois de amanhã, no depois e depois. Logo eu, que de tão preguiçosa não movia um dedo para retornar ligações, que escondia o celular na bolsa, que nunca tinha tempo para nada! Cadê aquela sofia que estava sempre dando mole para o pegador cheio de marra? Que não perdia uma noite com as amigas? Que tinha fobia a namoros e encarava qualquer relacionamento aberto e sem compromisso? Deve estar agora escutando Zeca Baleiro, Fernanda Takai, John Mayer. Deve estar estudando para o segundo semestre ou procurando algum programa para sábado a tarde. Deve sim estar com o celular na mesa e o coração na mão.