Hoje me caiu a ficha de que só faltam alguns meses para partir e deixar o meu quarto, os meus livros, o curso, meu emprego querido, as amigas e minha caneca de chá preferida para trás. Por causa disso, me deu uma súbita vontade de fazer tudo o que eu não fiz, ou pensar em fazer quando voltar, na ingenuidade de que tudo e todos permanecerão iguais. Porém, sei que não será assim. Desejaria que tudo ficasse congelado enquanto passo o próximo ano fora do país, mas me conheço e sei que sou infantil demais ao ponto de ficar chateada por isso não acontecer. A sensação de que coisas inusitadas virão se mistura com a péssima ideia de que o mundo continuará girando sem depender de mim. O carteiro vai continuar entregando cartas, o padeiro vendendo pães e você dando flores. No entanto, dessa vez, nem as cartas, nem os pães e nem as flores serão para mim. Eles terão outros destinos, pois eu estarei longe demais para ser responsável por eles. Enquanto isso, vou torcer para que pelo menos as flores sejam bem cuidadas pela próxima que recebê-las.