Você não vai acreditar. Estou – pela milésima vez – pensando em você, mesmo achando ridícula essa história da gente, que nunca acaba, que é no máximo adiada, remarcada, enquanto aproveitamos a vida com nossos amigos – e novos amantes – fingindo que nem lembramos do outro. Olha, tudo bem, já me conformei que preciso parar de escrever no plural. Talvez você até já tenha se esquecido de tudo e não sinta mais o que um dia já sentiu, mas me dá mais uma chance de novo?

Essa deve ser a décima sexta vez que te peço isso, porque eu sou campeã mesmo em falar as coisas erradas só para me pagar de mulher moderna, deixando você em uma sinuca de bico com seus sentimentos até cansar da partida que nunca acaba, da bola que nunca encaçapa. Eu também cansei desse lance de fingir que não existe nada entre a gente, de se encontrar à surdina como se fosse legal e divertido agir como dois adolescentes, sabendo que não é.

Se eu deixei a minha mão escapar da sua enquanto a gente estava em lugares públicos, acredite, é porque sou uma cretina. Uma completa cretina. Passei a admitir isso depois de hoje, que sonhei com você e fiquei rolando na cama me lembrando de como tudo parecia tão bonito e mágico no começo para virar uma novela mexicana cheia de ciúme e obsessão depois. Como deixamos isso acontecer? Em que ponto o romance virou drama?

A mulher moderna que deixou sua casa sem dar um pio na última vez, jurando para si que não voltaria mais – porque no fundo até achou que você finalmente tinha encontrado um novo alguém para substituí-la – está morrendo de saudade. Uma saudade que corta um pouco o coração quando você não responde uma mensagem. A mulher moderna é, na verdade, uma garotinha apaixonada que está cheia de medo de perder seu grande amor.