Moço, a menina ao seu lado está cheirando a caneta PERMANENTE de ponta grossa, aquela que ganhou ontem.

Flor, PERMANENTE é o seu cheiro que se estende por todo o CORREDOR de onde eu passo.

Mãe, e se eu te contar que ainda hoje tenho medo do ZUMBIDO que os móveis do CORREDOR fazem quando anoitece. Eles gemem.

Um poeta me deu de presente um ELOGIO, disse que eu escrevo como ZUMBE uma abelha e pia um passarinho.

Me questiono, amor, onde foram parar aqueles frequentes ELOGIOS que já trocamos no começo dessa COISA que chamamos de nós.

Sempre nomeei COISAS indescritíveis pela minha falta do que fazer e pelo meu baixo REPERTÓRIO.

O ódio e a meiguice da infância ao lado de minha irmã não media esforços, não seguia REPERTÓRIO, pauta, lauda ou ROTEIRO familiar

Comprei a caneta grossa PERMANENTE para assinar o trabalho de ROTEIRO, mas preferi cheirá-la inteira até só restar tinta para essa meia folha.

 

Um exercício que possivelmente só eu entenda – ainda assim creio que daqui alguns anos vou me perguntar que droga eu tomava na época em que escrevi isso.