Podem chamar de desrespeito, falta de noção, carência ou ciúmes, mas hoje eu me cocei para não te escrever um baita recado no Facebook ou WhatsApp ou qualquer outra mídia digital que faz papel de ponte entre nós desde que eu decidi atravessar as Américas e parar aqui. É sério. Eu precisei pensar milhões de vezes se valia a pena fazer isso, porque eu sei que agora você tem uma nova pessoa na sua vida e qualquer coisa vindo de mim pode soar como mal intencionada. Afinal, agora eu estou definitivamente na sua lista de ex-namoradas. Dá pra dizer isso?! Ex-namorada?!

O mais estúpido em tudo isso é que eu só queria te contar que durante o dia de hoje alguém perto de mim no trabalho tinha um cheiro muito parecido com o seu. Por mais que eu me distraísse com a correria, volta e meia eu sentia o cheiro e lembrava de você, do seu quarto, da roupa que você me emprestava pra dormir. Não. Isso definitivamente não é um texto sobre amor, nem sobre saudade, nem sobre qualquer coisa relacionada ao que tivemos juntos. Isso é um escape, uma tentativa de contar para todo mundo o que eu não posso contar para você simplesmente porque alguém no mundo instituiu que é falta de educação falar com um antigo amor quando ele já tem um novo alguém. Coisa que, particularmente, acho estúpido demais.

Não sei o que há de errado, porque mesmo sentindo o seu cheiro e lembrando de como ele me parecia tão natural e agora já passa a ser raro e nostálgico, não desfaço meus planos, não lhe prometo retorno, não alimento as expectativas de reatar algo… Pelo contrário. Fico feliz de sentir esse cheiro e relacioná-lo com algo que teve começo, meio e fim, que não ficou incompleto no baú dos casos mal resolvidos.

Sendo assim, talvez eu devesse escrever algo como: “Hoje senti o seu cheiro, sorri largamente e voltei a fazer o que estava fazendo.” – Pode ser que funcione.