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Como todas as outras coisas boas que aconteceram na minha vida começaram, Gastown foi um tiro no escuro. Pulei de paraquedas no bairro noturno mais hipster-fancy-cult-alternativo da cidade após ser convencida por uma das minhas grandes amigas. Empolgada pela oportunidade de trabalhar novamente com ela em um cenário completamente novo, disse “sim” sem pensar duas vezes e abracei o novo serviço. Não sabia eu o que vinha pela frente.

Pela frente veio bêbado, veio sóbrio, veio casal se encontrando às escuras, e veio amante, veio amado, veio mal amado, veio amador, veio louco, veio biscate, veio amigo, veio amiga, veio amigo da amiga, veio ex do amigo, veio gente legal, veio gente chata, veio gente nova, veio gente velha, veio gente brava, veio gente feliz pra caramba de te ver, veio gente que nunca te viu… E, no meio desses que nunca te viram, veio você.

Por pouco não te notei, porque estava lá no fundo do bar acendendo algumas velas que tinham apagado com a janela aberta. Sorte que você conhecia todo mundo e ficou jogando conversa fora na porta durante tempo suficiente para eu voltar para a minha posição de cumprimentar pessoas que chegam. Daí que, antes mesmo de eu chegar perto, eu te vi meio de longe e quase nem acreditei. Só acreditei mesmo quando você abriu um sorriso simpático e perguntou: “É você mesmo?”. Sou, sou eu mesma, mas não a mesma de sempre, porque agora que eu te vi me deu uma borboletada braba no estômago e eu provavelmente estou com a cara vermelha de vergonha.

Eu não sei como eu sempre soube da sua existência e você sempre soube da minha, mas a gente nunca se esbarrou por aí. Além disso, eu também não sei como a gente se reconheceu naquele salão escuro sem nunca ter se visto antes, mas eu fiquei feliz pra caramba de estar lá, naquele dia, naquele lugar, naquela hora em que… Bem, naquela hora em que você decidiu ir no mesmo dia naquele mesmo lugar.

Você veio de surpresa assim como todas as outras coisas boas que eu acertei com aquele tiro no escuro: novos cafés, novos bares, novos restaurantes, novas placas (ah! Essas placas bem que tentaram me avisar), novos amigos, novos caminhos, novos estudos, novos desafios, novas vitrines, novas referências, novas coincidências, novos encontros… novos começos.

Aconteceu. E desde então você vem acontecendo constantemente.