Não adianta insistir não é mesmo? Eu posso escorregar no banco do passageiro do seu carro, no maior charme e dizer que estou cansada e quero dormir ali mesmo que você vai rir com o canto da boca, desviar o olhar e balançar a cabeça como quem quer, sem poder querer, me tirar esse sono de alguma maneira. Eu posso até fingir que me preocupo demais com seus outros relacionamentos, mas eu não consigo. Enfiei na minha cabeça que entre nós dois a conversa é diferente. Não existe mulher alguma que você entenda menos do que eu. E no que se diz respeito a complicação, eu sou campeã. Sou menor, sou devagar, sou mais dia do que noite e quanto mais eu quero, mais vejo o fim da história chegando perto. Não quero amores sustentados a vodka e balada. Quero amores com gosto de comida em casa e passeios de bicicleta.
Eu posso brincar de segurar sua camisa como criança que quer pedir algo ou beijar estalado na tua orelha só pra começar uma guerrinha a qual eu sempre perco. Mas eu também posso morder tua boca, jogar os cabelos para o lado e tentar imitar alguma personagem sedutora que vi na tv. Eu sei que você vai rir da forma como eu tento ser mulher e vai achar graça em tudo isso. Vai saber que guerrinhas de beijos estalados são mais minha cara do que unhas vermelhas e mordidas no lábio. Vai saber que eu vou encostar a cabeça no travesseiro e morrer de vergonha dessa tentativa de sedução frustrada. Isso me agrada. Sentir que você sabe a verdade, a minha verdade. A minha cara, o meu jeito. Sentir que você ri e desvia o olhar balançando a cabeça, por pura vontade de me ter inteira e não pela metade.