Então eu disse: “I got over you”. Mas disse isso só nos meus sonhos, porque na vida real eu só disse mesmo o quanto você era sensacional e expliquei o quanto complicada eu era. Eu joguei pro meu lado a culpa que, na verdade, deveria ser arremessada para o seu lado. Não, não sou eu. Sim, é você. Tudo entre a gente começou bacana, depois continuou legal, teve um periodozinho ameno, ate chegar no insuportável.

Eu não sou fácil, não. Aliás, sou bem difícil de lidar. No entanto, eu estava ali, bem molinha, bem carente, bem no alvo pra você. Eu mostrei meu interesse com todas as linguagens corporais que fui capaz. Eu te dei prazer, eu tive prazer e – aqui entre nós agora – eu também fingi ter prazer só pra te dar prazer. Eu fui uma garota maneira com seus amigos, eu não enchi teu celular de mensagens e muito menos te convidei pra fazer muitas coisas só pra não ser aquela mina mala que cola e sufoca. Eu fui cool, isso você tem que admitir.

O problema é que você joga demais. E, na boa?! Eu também. Ai chegou numa hora em que aqueles 5 minutinhos que a gente demora pra responder uma mensagem só pra deixar a outra pessoa do outro lado ficar ansiosa virou 10, virou 15, virou 20, foi crescendo até a gente levar 2 dias pra trocar uma ideia. Cu doce tem limite.

Outra coisa é a sua mania de ter programas no dia seguinte de passar a noite juntos. Olha, quem faz isso sou eu. Eu que odeio passar o dia seguinte com alguém. Eu que invento logo alguma coisa pra fazer e zarpar como quem não quer nada, evitando café da manhã, almoço e cinema de tarde. Ninguém me tira isso. Essa é uma técnica minha, só minha, a qual na verdade eu deveria até mesmo patentear. Ninguém diz que tem algo pra fazer no dia seguinte antes de mim. Isso me incomoda um bocado.

Então, honestamente, “I got over you”, sim. Porém, não porque eu comecei a gostar de outro cara, não porque o sexo com você é ruim, não porque as agendas não batem ou você é muito grudento. “I got over you” porque você é…hannn… interessantemente complicado como eu.