Deitada de bruços, estiquei o corpo para fora da cama sem muito esforço. Na tentativa de encontrar algo a servir de cinzeiro – um copo, uma xícara, uma latinha de cerveja vazia -, encontrei um prato sujo de farelo de pão. Esmaguei ali a ponta do baseado e me joguei de volta para a cama tomando impulso com a mesma mão – feito uma enferma sem forças para sustentar o próprio corpo. Fechei os olhos e senti o peso quente da mão dele percorrer minhas costas em direção à lombar. Seus dedos começaram a pesar mais, uma pressão leve sobre minha pele magra, ondulada em ossos. Uma cordilheira sendo explorada. Quando mais eles desciam, mais pesavam. Mais pressionavam – famintos. E, então, com o pousar da palma da mão na lombar, senti seu dedo médio escorrer entre as minhas pernas.

O arrepio. O gozo. O espasmo.