Comecei a fazer terapia. É um dinheiro que, no começo, encarei como uma grana perdida. Sentia muito medo de falar de mim mesma (e ser sincera) com um estranho. Eu sou da ideia de que, conforme a idade passa, nos tornamos pró em acumular problemas. Vamos postergando soluções e empilhando um problema no outro, até a gente não saber qual deles resolver primeiro. Aí tem uma hora que nós não aguentamos mais aquela bagunça e vem a ideia brilhante de pedir para uma outra pessoa nos ajudar nessa tarefa ingrata de desfazer a pilha de problemas um por um. “Segura esse daqui pra mim um pouquinho, por favor?“, a gente pergunta, enquanto tira um dos problemas da pilha. E essa pessoa vai segurar ele na boa, mas inevitavelmente vai olhar pra cara do problema enquanto a gente ainda olha pra pilha toda. Até que, encarando o problema que apoiamos em seus braços, ela vai perguntar: “O que é isso aqui?” e aí vem a parte difícil. A gente finalmente vai ter que olhar pro problema e tentar explicar que porra é aquela.