Senti vontade de vomitar de nervoso, de angústia, de tristeza e stress.

Entendi, finalmente, o emaranhado que os nossos sentimentos podem nos causar na região da barriga, como se as borboletas que vivessem lá quisessem nos sabotar. Senti que elas queriam sair voando pela minha goela, enquanto até então elas só se manifestavam dançando valsas em momentos de forte paixão. Até que seria bonito ver uma pessoa a vomitar borboletas por aí, se não soubéssemos como é bom tê-las aqui dentro. E a gente não quer deixá-las saírem, não é mesmo? A gente não quer deixar que elas voem para fora de nós e que, no lugar, fique um buraco vazio, nos transformando em pessoas ocas. Não quero nunca ser uma pessoa oca. Então a gente se esforça para aguentar elas se remexendo ali dentro, enquanto ao mesmo tempo tentamos lidar e brigar com aquilo que se remexe lá em cima, na nossa cabeça mesmo, nos fazendo pensar um monte de abobrinha que quase sempre não faz sentido algum.

Até agora não vomitei. Estou segurando forte cada impulso de mim que leva a raiva e a tristeza a empurrarem meu coração para fora. Engulo com força a saliva, imaginando que nela está toda a minha vontade em controlar meu próprio corpo. Perdi a fome, pois o aperto no peito não deixa a gente imaginar alimento algum sendo capaz de fortalecer quem parece já estar morto por dentro. Mas forço garfadas no almoço e no jantar. Sou carcaça, mas sou uma carcaça que vai comer, sim! Vai comer, vai levantar, vai pagar tudo sorrindo pra moça do caixa e vai fazer outras várias coisas no dia, porque é assim que a gente vivia até deixar nosso coração mandar na parada toda.

No entanto, se por ventura eu deixar esse espectro de sentimentos ruins tomar conta de mim, eu vou, sim, vomitar todas as borboletas. Ah, como vou!