Eu queria entender quem foi que me deu palavras. Quero dizer, palavras todo mundo tem! Todo mundo aprende. Não é como tela e tinta. Não é como filme e luz. Eu tenho algo que todo mundo tem, mas raros querem. Eu não entendo números, tenho nojo de cadáveres e não sei administrar nem mesmo a bagunça do meu quarto! Sem dizer que eu e o fogão não temos uma relação muito boa. Então, assim só me sobram as letras. E querem saber? Estou desgostosa! Estou de mal com as folhas pautadas! Quero aprender a tocar gaita e desenhar um rosto sem esquecer as orelhas. Quero me sentir mais útil do que simplesmente ler e escrever. Me irrito toda vez que alguém fala “legal seu blog” e nunca mais volta. Eu sei, não é obrigação nenhuma mas… Poxa! Por quê eu não me sinto útil? Por quê utimamente tudo que eu faço é para mim mesma? Não faz diferença alguma para a humanidade se existe um blog verde, amarelo e azul-petróleo-claro na bendita infinitude da Internet. Então eu estudo o ano todo para passar em uma faculdade cujo curso de comunicação é o pior do sul, para quê? Para ouvir comentários de que a profissão do futuro será Engenharia Florestal? Para me dar vontade de engolir os 4 anos do curso sem dizer um “ai”? Me vê por favor um semestre de Direito, outro de Medicina, mais um de Geologia e um bocado de Design? Que dilema patético é o vestibular! Que coisa mais imbecil me sentir menos útil do que qualquer profissão só por saber fazer o mesmo que qualquer universitário de esquina. Aposto que esses textos feitos sobre personagens inventados, histórias de amor inventadas, situações inventadas não dão emprego à nenhuma adolescente de 18 anos. Eu não sei o que eu estou fazendo, não sei o que passou na minha cabeça quando escolhi essas duas profissões para arriscar. Na verdade, acho que nada passou. Acho que fui levando tanto quanto tenho levado minha vida, com a barriga. Empurrando, adiando, daqui a pouco eu vejo, daqui a pouco eu penso, outro dia viro alguém, hoje vou ser só mais uma. Agora, bem feito para mim que nunca levei esporte algum à sério, que nunca me esforcei para aprender a tocar, desenhar, pintar, contar alguns números… ou alguma boa história.