Sempre foi assim, sempre me odiaram pelo que eu sinto e o que eu deixo de sentir. Principalmente pela facilidade como faço ambas as coisas. Preciso de um pretexto para insistir. Até o dia que eu te vejo sozinho, sentado em um degrau de pedras e pergunto como quem não viveu nada:
“Ei menino, o que é esse peito cheio de tanto amor?” É, eu sei me fazer de boba. É só olhar para você que a minha cabeça dói e de repente eu sinto tudo isso que você está sentindo. Mas passa, você sabe que passa. É essa minha regata preta que me aperta, é esse sol que me derrete, é tudo que me incomoda motivo suficiente para ficar longe de você. Porque não dá. Porque você está gostando e eu não posso suportar amor de mais. Amanhã eu já não vou estar com vontade de sair de casa, amanhã vou querer viver o sábado como à 2 anos atrás. Vou querer fazer à fria e insensível. É mais fácil, rápido e menos doloroso. Agora eu sei porquê todos aqueles que um dia gostaram de mim, hoje me odeiam. Me odeiam um ódio que muda quando me vêem. Acho cretino me orgulhar disso. Então eu fecho a conta sem pagar o expediente. Fica assim, suspenso no ar, um lance de volta, retorno, esperança. Minha, dele, sua e de quem quer assistir.