– Foi assim sim senhor porque eu lembro bem!

– Então me conta com detalhes, vai!

– Primeiro você entrou e me viu, mas eu não te vi. Depois eu vi seu amigo, mas ele não viu. Aí eu te vi de longe, na porta do banheiro e um pouco depois você me viu de longe, na frente do bar. Mas a gente não se viu junto. Eu acompanhei o seu amigo com o olhar e ele acompanhou a bunda de outra menina com o olhar. Você foi até o bar e pediu uma cerveja. Mais tarde eu iria descobrir que você não gosta de cerveja e você iria descobrir que eu só estava segurando a garrafa para a minha amiga prender o cabelo. Então você largou uma piadinha no ar e eu larguei um sorriso para você pescar. A música mudou, você me chamou e a gente dançou. Depois de “três passinhos pra cá e três passinhos pra lá” em um ritmo moderninho e descolado, finalmente você se deu conta que conversar na pista de dança não dá certo. Vamos parar de gritar, vamos subir, para você me pedir um beijo, para eu te dizer não, para você insistir e fazer surgir de repente uma saudade das minhas amigas… “Preciso descer!”. Eu te deixo e você sussurra para o seu amigo “Eu tentei” e as minhas amigas gritam no meu ouvido “Por quê não?”. Aí vem aquele sorriso sem graça, os esbarrões no corredor e você pergunta “Quer subir de novo?” Quero! Deixa eu ver se você é tão interessante quanto bonito. Me diz o que vai ser quando crescer, quantos filhos vai ter e se ainda quer me dar um beijo. Quer, mas não me dá. Agora o seu amigo senta do lado e puxa assunto. Tarde demais, viramos amigos. Chamamos um taxi (para cada um), trocamos os números.
– Até qualquer noite!
– Até…