Eu ri, ele riu. E ficamos ali parados, rindo que nem bobos do peso que acabávamos de tirar das costas. A dura conversa depois de meses separados. A expectativa sendo ridicularizada com piadinhas sexuais. A notícia exibida em caixa alta na testa de cada um: ACABOU. É, era só o que precisávamos! Esclarecer que no peito de cada um já não existia mais amor, era passado. Logo despencaram-se ombros tensos, logo uma perna descruzou de cima da outra, logo não éramos só nós dois, mas sim, o mundo inteiro junto naquela sala. Aquilo sim era paz, era sossego, era a certeza de que ambos podiam se abraçar sem segundas intensões ou desculpas planejadas antecipadamente. Era uma Sofia sem fulano e um fulano sem Sofia. Com suas dores, com suas mágoas, com lembranças boas e histórias feitas. Histórias que agora tinham um fim. E como é bom ter um fim! Um fim comigo mesma, a tal da mulher sem amores como alguns falam por aí. Pobres deles, nem sabem quantos amores eu matei aqui dentro só para viver mais um.