A gente fica a vida inteira imaginando o homem ideal, para um maldito dia de chuva chegar e te deixar presa na casa de uma amiga com um monte de gente desconhecida. Aí, nesse monte de gente desconhecida, tem um carinha estúpido que não pára de te olhar. Ele é tão tão tão estúpido que te faz o rosto corar e o copo esvaziar. Por algum motivo inexplicável o carinha vem falar com você e bem nessa hora a sua bexiga parece que vai explodir de tanta cerveja. Mas por algum motivo mais inexplicável ainda você consegue se segurar, mesmo rindo sem parar das piadas bobas que ele faz. É, talvez não fossem tão bobas assim. Vá! Ele está te agradando e você não quer admitir. Como também não quer admitir que gostou do alargador e do cabelo enrolado que ele tem. Mas não! Não era assim que eu imaginava! Eu imaginava terno, gravata, imaginava vinho! E já tem uma camiseta de malha e cueca Calvin Klein me convencendo a ir pra cama essa noite? Bem, só porque está chovendo e eu não arranjei nenhum outro programa, ta? Só porque eu cansei de ficar sozinha naquele sofá pensando o que mais eu poderia fazer além de ficar sozinha naquele sofá. Pronto! No dia seguinte a mesa está arrumada, os relatórios feitos, a chefa satisfeita te mandando ir para casa e o infeliz do celular não para de te olhar lembrando de que não, ele não ligou! Aí o dia seguinte vira mais um dia seguinte. E a sua solidão quase sobe ao podium de maior do mundo quando chega um pedido de desculpa via sms quase tão estúpido quanto quem o mandou. Mas ele nem era tão estúpido mesmo. Amanhã? Tá! Então tá! Tchau…ahn…beijo! E vieram vários amanhãs na minha cama, na dele, no meu sofá, na poltrona dele. Até o dia que eu olhei para o alargador, para o cabelo enrolado, para as piadas bobas, para a camiseta de malha e para a cueca Calvin Klein ao meu lado e tive certeza de uma coisa: A vida inteira eu imaginei o cara errado.