Era a nossa caminhada matinal de sábado. Foi quando eu tropecei ali na esquina do restaurante mexicano que nós rimos. Rimos porque nós duas juntas só sabemos rir da vida. Só sabemos tropeçar nos problemas e nas calçadas. O legal era estar ali, em companhia, para lembrar de todos os tropeços e acertos. 3h caminhando e 3h falando, não importasse o quanto isso nos cansasse. Passavam velhos, crianças, bicicletas, cachorros e um novo patinete, agora motorizado, que me chamou de velha quando passou carregando seu dono em cima. Ou eu mesma me chamei, mas isso nao importa! Importa que continuávamos ali, caminhando. Eu, com o emprego perdido, a cabeça confusa e uma dor no tornozelo. A Lu, com seus dois amores, talvez três, mas um vazio no peito tentando ser preenchido pela brisa do parque. Amigas, trocando idéias, assuntos, programas e vazios.

Eu apontei para uma casa e disse: “Quero morar em uma igualzinha!”, só para dar o ponta-pé inicial. Começamos a falar sobre casar, com quem casar, onde morar, ter filhos, deixar ou não eles fumarem maconha. A promessa de uma ser madrinha do filho da outra, de morar na mesma rua e de fazer carne de panela todo sábado. Até a gente chegar em casa cansadas, tomar água e comer frutas como se fossemos saudáveis assim a semana inteira.

O importante é que no fim de tudo isso, da caminhada e da conversa toda, a alma estava renovada. Éramos novas! Deixamos na ciclovia todos os vazios, na esperança de algum patinete motorizado atropelar.