Que eu me lembre, tudo começou entre a tequila e a vodka com canela. Depois vieram as cordas sonoras, a mão na perna embaixo da mesa e a sua sinceridade ao dizer “vim aqui porque você estava tão sozinha”. Estava. Estou. Sou? Sei lá! Decidi gostar de você no “bom dia” do dia seguinte. Achei tão rouco e bonito que resolvi ouvir ele todo dia. Foi então que você foi dormir e me deixou com outros violões. Fui pra cama me achando louca e carente. Sonhei com teus pés, tuas pernas e a cicatriz da tua mão. Achei bonito ver seus calos de vida. Olhei pra minha pele lisinha e me senti pouco vivida. Senti raiva porque, quando te vi com a loirinha, só lembrei dos teus calos. E desejei-os como nunca. Queria um homem assim, que tivesse sofrido. Para então fazer de mim princesa indefesa e dona de seus calos.