Então fica subentendido que vai ser assim. Alguns reais para dizer que foi tudo muito bom, tudo muito legal, mas acabou. E aquela bebida laranja que você me deu, e aquela outra bebida que você derrubou em mim e tudo que aconteceu antes e depois, no intervalo entre o “não sei” e o “agora sou eu que quero”, são coisas que a gente engole junto com as outras coisas que são feitas para não pensar. Eu pensava demais, agora penso de menos. Ou faço tudo errado, ou nessa vida não se deve levar nada muito a sério. Mas como diz Drummond “de tudo fica um pouco”. E ficou. Ficou aquele seu nariz na minha coluna, o caminho das minhas unhas nas suas costas e o beijo aqui, atrás da minha orelha, que me deu o maior arrepio do mundo. E o cigarro, a ligação, o encontro, a mulher, o carinha, são formiguinhas perto daquele assobio que você deu pra me deixar envergonhada na rua. Só porque antes de ir embora da minha vida naquele dia, você parou um pouco pra me ver do outro lado da rua. Mesmo que fosse para me deixar vermelha, para brincar, para me ver procurando o dono do assobio torcendo para não ser nenhum caminhoneiro. E aqueles apelidos que eu dou para todos os corpos que aqui passam, o seu é o mais cheio de significado. Mas ninguém sabe, nem você, qual é o peso disso tudo. E desse tudo, repito: fica um pouco.