Eu acordei e vi você já grudado no computador, nas suas músicas e no seu violão. Tocando baixinho, quase sem encostar as cordas, só para não me acordar. Eu não sei quanto tempo fiquei ali parada, na cama, só te observando. Só vendo o quanto de você, que é tão grande, cabe no meu peito, que é tão pequeno.
Lembrei tudo que passamos, da vergonha que eu sentia quando te encontrava e de como tudo e todos ficavam tão pequenos e insignificantes quando você dizia que eu era linda. Isso me faz rir um pouco alto e você, assustado, olha pra trás, mas já sorri e volta para a cama me abraçar. E eu te digo que você é a melhor coisa que eu poderia ver ao acordar. Você me pede em casamento e eu tenho vontade de esquecer que é só brincadeira e correr para ligar pra casa e gritar “Manhê! Achei! Achei um cara para a vida toda! Achei o segredo para ser assim, feliz como você e o papai!”.
Eu sei, eu sou meio boba por você. Já tentei esconder o peito inchado de amor, mas não dá. Não dá pra esconder quando você faz assim de manhã, abraça sempre tão quente meu corpo nu e gelado.