Faltou. Tocou o telefone, acabou o vinho, queimei o dedo. Deixei você tirar a jaqueta, abrir meu zíper e rasgar um pedacinho da minha blusa. Você respirou pesado no meu ouvido e eu achei isso bonito. Mas eu esqueci no dia seguinte porque… faltou. Lembrei que te agradava demonstrações de carinho em público. Beijei. Beijei pra você ver que eu não tinha mais vergonha de você. Conheci sua mãe meio sem querer. Fiz boa pose para os seus amigos. Mergulhei de vez no seu mundo. Mesmo sabendo o que estava faltando. Trocamos presentes e ignorei indiretas. Convidei para o almoço da empresa e até apresentei para o chefe. Te chamei pelo nome porque não percebi que você, nessa altura do campeonato, já era algo meu e não alguém comigo. Faltou ali, mas tudo bem, continuei não percebendo até o dia que você disse aquelas palavrinhas que põe anéis imaginários nos nossos dedos. Aí eu engoli em seco a vontade de gritar: Não menino! Não! Tá faltando amor pra isso…