Terminou o filme e eu fiquei ali, na cama, no escuro do quarto imaginando uma Sofia diferente e comparando aquele roteiro da Tv com o desenrolar da minha vida sem-roteiro. Terminei de escalar e lá de cima olhei pras pessoas de baixo como formiguinhas de vidas perfeitas sem sogras, sem chefes e com sexo bom todo dia. Desejei, lá de cima, descer uma nova mulher. Terminou a viagem mas eu preferi permanecer sentada, fiquei com medo de sair do ônibus e não encontrar ninguém me esperando. Terminou o livro e eu chorei. Chorei por não querer que palavras bonitas tivessem fim. E quando terminou a música eu também tentei parar, mas ele não deixou. Abaixou o rosto e disse assim no ouvido: “Filha, na vida, ninguém e nenhuma música nos diz quando se deve parar.”