Eu dei um gole na minha cerveja e acompanhei, com os olhos, a moça cruzando o salão com passos firmes e decididos, mas claramente sem pensar muito. Ao menos, se fosse ela, eu não pensaria. Antes de a música começar, ela encostou as mãos no braço dele já com um sorriso tímido no rosto. Dei mais um gole na cerveja enquanto a menina se apresentava. Ali de onde eu estava era possível ver, mas não ouvir. Avistei o baixista subindo no palco e me veio aquele arrepio na coluna. “Pô cara, porque todo domingo é assim?” pensei. Apostei comigo mesma quanto tempo a conversa ia durar. Durou até o taxi chegar e ela ir embora, com direito a risadas e caras de surpresa nesse intervalo de tempo. Achei isso tudo corajoso e bonito da parte dela. No último gole da cerveja quase quis imitar, mas não deu tempo… A banda começou a tocar.