Essa semana eu quis o luxo de ser mulherzinha. Sabe? Daquelas beeem mulherzinhas mesmo? Que pedem salada no au-au e que não entendem quando a gente faz trocadilho com a salsicha? Essas mesmas. Quis o luxo de ser assim, de trocar de esmalte toda semana e acompanhar a nova novela das 19h. Até me esforcei para não colaborar com as piadinhas sacanas do trabalho e me senti uma garotinha assustada na balada gay de sábado. Mas eu não gosto dessas meninas. Não gosto das suas calcinhas de algodão e dos seus sutiãs de florzinha. Não tenho a mínima paciência pra marcar jantar com amigas e sou louca pra tomar uma cerveja com o meu porteiro. Mas caramba, que inveja eu tenho das mulherzinhas! Que inveja eu tenho das saias, do equilíbrio sobre o salto e dos namoros fáceis. Mulherzinhas, eu mordo uma raiva sem-igual de vocês, que deve provir de alguma desilusão amorosa em vida passada. Eu aqui, me esforçando pra tomar chá sem açúcar, pra não pedir o dobro de queijo no Subway e pra fazer a minha sogra gostar de mim… E vocês mulherzinhas? Vocês conseguem sentar no ônibus de perna cruzada! Humilhando todas as mulheres em volta. Me diz, o que vocês fazem quando bebem um pouco mais e dá uma vontade danada de ir pra cama com alguém? Vocês são bonitas assim no frio também? Como ficam as minhas roupas velhas que uso pra dormir? Não jogá-las fora quer dizer que não sou digna das mulherzisses? Saí pra lá então! Declaro o fim da minha semana de mulherzinha! Tira esse pijama rosa-claro de mim! Não digo nem aqui nem na China que a Patrícia Poeta é diva do jornalismo e, pra mim, o Tom Cruise tem pinto pequeno! Ouviu? Pin-to! Porque quando eu digo que você pede salada por não gostar de salsicha, mulherzinha, eu quero dizer pinto! Entendeu agora?