Foi um tempo bom, quase um ano. Esse quase é que me mata. Um ano, na vida de todos, é bastante. Em 1 ano comemoramos aniversários, passamos em provas, vemos pelo menos 1 vez cada amigo nosso, visitamos parentes, damos presentes a cunhadas, sogras, sogros ou primos. Em 1 ano já podemos cumprimentar o vizinho com alguma brincadeira, podemos dizer que alguém mudou ou podemos finalmente nos dar a chance de mudar. Esse período de 365 dias, ao lado de alguém, é suficiente para criar uma margem de respeito. “Estamos juntos há 1 ano!”, poderia eu ter exclamado. E hoje, perto de tanta gente que vira vapor depois de uma noite, perto do príncipe de carro branco que vira sapo de saco verde, todos passam a admirar os 12 meses. Com esse tempo, já é possível assustar amores passados que apostaram na morte precoce do novo amor. Já causa desesperança nos aventureiros, fazendo crer que só existe uma pessoa boa para nós. Mas foi quase, quase 1 ano. Não chegou a ter tantos efeitos. Nem assustou o amor passado, muito menos o tirou do meu peito, ainda estava aqui dentro uma lasca da ferida passada. Culpa do quase, que não completou seu dever de me fazer mais íntima da nova família, que não me deu a liberdade de ser de alguém por um período redondo. Ficou nos quebrados, nos 10 meses quebrados. O quase, responsável pela dor no peito que eu senti quando faríamos 1 ano, responsável pela vontade de voltar para casa a tempo do jantar e responsável pelo medo de um dia ele completar esse tempo ao lado de outro alguém… É quase, quase uma saudade.