Ontem eu fui beber sozinha porque fiquei com saudades de mim mesma. Sentei no parapeito e olhei pra janelinha lá de cima, que quando fica acesa consegue acelerar um pouquinho a minha circulação. Um gole, dois, três, vários e logo acaba a cerveja. A minha cabeça continua a mil, pensando milhões de coisas, e a tal da janelinha… nada. Então eu começo a cantarolar baixinho Rock And Roll Lullaby e sinto uma mistura de álcool e alegria na barriga, causando um friozinho bom que dá vontade de sorrir pra cima e dizer que sou feliz comigo mesma e não preciso daquela luz, nem da sombra que vai até o parapeito também.
Afinal, eu fui até ali sozinha para ficar só comigo.
Afinal, nenhuma mulher é mais feliz do que eu nessa janela, com cerveja e assobio torto.
Afinal, o que é amor pra você hoje? Sou eu! – respondi eu, para eu mesma.
Sou eu e a minha janela.

… e talvez aquela janela lá de cima também.

Foto LHP