Mesmo achando que ele me chamaria de louca, contei que naquele dia que ele me levou pra casa, o i-pod dele tocou uma música que acompanhou o ritmo do meu sangue no corpo. Que me deu um empurrãozinho na testa e me fez encostar a cabeça entre o banco e o vidro. O vento que entrava pela janela, bateu nos meus olhos fechados e me fez sentir tudo que eu precisava sentir naquele dia. É a tal da sensação de estar vivendo depois de um dia inteiro no automático. É a sensação de estar em um filme só porque nos filmes a gente vê a vida… e a nossa, a gente passa batido. A trilha sonora combinou com a luz da madrugada, combinou com o vento, combinou com ele colocando a cabeça pra fora da janela e sorrindo enquanto dirigia. Ele gritava “faça isso, é muito bom” e eu sorria leve e pensava que queria mais filme com a minha vida e mais vida para o meu filme.