Ele disse: “não produza pouco, produza muito” e logo a ideia fixa que eu tinha de escrever sobre o mundo, vira uma ideia fixa de escrever sobre ele. Do que mais escrevo que não seja sobre mim e sobre eles? Mas ele, surpreendentemente ele, não está entre eles todos. É ele, só ele, sem letra maiúscula ou apelido vingativo de uma relação que não deu certo. É simplesmente ele, e eu. Só.

Enquanto a passagem de avião continua cara e ele continua lá, longe, eu fico imaginando toda conversa online a ser vivida no chão do meu quarto. Eu, ele, papéis de arte jogados no carpete. Ele declama uma análise, eu concordo. Não, não estou concordando com a análise, só estou concordando com a cabeça dele que move e olha para os papéis como se fossem documentos importantes. São cores e letras, arte fina e vulgar ao mesmo tempo.

Só estou esperando um pouco, me distraindo com outro programa, olhando pro outro lado e me enchendo de amor falso pra não me encher dele, que está tão longe e mesmo assim faz tão bem pra mim. Só estou fazendo isso com a intenção de ver as horas passarem logo, para eu logo descer do ônibus e para logo tê-lo. Assim, ele de novo, só ele.