-A imagem é da galeria do venoms.

As quatro amigas deram as mãos, em cima daquela pedra que dá pro oeste e embaixo daquele céu que reflete no mar. Nós fizemos uma coisa que muita gente acha loucura, (não, a gente não se jogou lá de cima) a gente só ficou em silêncio. A gente tentou refletir, meditar, sentir, rezar, imaginar, torcer, vibrar, ou sei lá o que cada uma fez. Até hoje não sei e nem sei se quero. Basta saber que naquele momento as três viraram flores pra mim.

O que eu quero dizer é que algumas pessoas passam na minha vida e viram flores, às vezes somente por ter… Passado. Tum! – virou flor.

É extremamente necessário que me toque de alguma maneira. Não é discurso de pequeno príncipe, não pedirei pra que você me cative. Eu to pedindo é pra você ser. Ser você, ser um pouco eu, ser aquele ali que passou agora na frente da sua mesa e você nem reparou porque você estava sendo só você e mais ninguém.

Enquanto eu me digladio com meus problemas, discuto até com a porta que emperra quando eu quero bater e depositar nessa batida toda a minha raiva, brigo um pouco comigo e com o mundo, que perde tempo e alguém para uma besteira casual da vida. Esqueço, durante todo esse ato de drama gregoriano, que tem ali a dois passos de mim, uma chance de curar toda a ressaca do meu peito: escrever. É escrevendo que eu vejo várias pessoas em mim. Vejo eu mesma e todas as minhas versões que me acompanham, vejo o Felipe que escrevi há meses e faz sucesso em uma coluna de jornal, vejo a Jaque, colega de trabalho que abraça todo mundo todo dia e faz disso um charme próprio… Enfim, deixo de olhar só pra mim e passo a olhar o meu jardim.

Acho que essa história toda de ver as pessoas e elas virarem flores pra mim é uma analogia barata ao jardim que tem aqui na frente da mesa do meu computador. E toda vez que eu sento aqui, antes de escrever eu olho pra ele. Tum! – virei flor.

Mas se serve um pouquinho pra você, que até agora leu tudo pra tentar entender onde eu iria chegar, vai ali fora ver a moça da padaria, a mãe buscando o filho na escola, o cobrador do ônibus… Transforma todo mundo em flor, rouba e leva pra casa, pra você.

Não nos deixemos levar por problemas e portas emperradas!