Ouvir uma música, me alongar num tapete de borracha, voltar para a casa a pé, ver a cidade do alto, tirar o fone para ouvir as crianças brincando na rua, o barulho da água escorrendo na calçada, o vento, o trânsito, o ar. Me deixe enquadrar uma foto, tirar uma foto, guardar a sua foto. Me deixe pintar as unhas de vermelho, repartir o cabelo no lado, mudar de profissão. Me deixe escrever pausadamente, repetidamente, inexplicavelmente. Me deixe estudar, prestar atenção na aula, tomar sorvete no frio, queimar as bochechas no calor. Sentar na grama, ouvir uma flauta e um violão. Olhar pra cima e ficar cega de luz, de nuvem, de céu. Me deixe ser assim pra sempre.