Ouvi um som que dizia que o amor acerta quando o acaso nos reserva. Gostei, mas não deixei de sentir a desestimulante preguiça de recomeçar. Pra quê, se uma hora acaba? É o que sempre acontece depois de tantos altos e baixos entre nós, entre eu e aquele cara de camisa vermelha, entre eu e aquele que ainda não tive nada, mas um dia certamente eu terei. Entre eu e aqueles da noite anterior, que seguraram uma mecha do meu cabelo, conversaram com muitos sorrisos, fizeram tudo o que costumamos fazer quando estamos atrás de alguém para passar a noite. O que acontece no final é sempre igual, fazendo  a gente ter só uma vontade: nem começar. Então foi essa a conclusão da noite. A preguiça dos joguinhos, da incessante tentativa de adivinhar o que o outro quer, de querer e não querer ao mesmo tempo, me levou a vestir a capa opaca da não-amor novamente. Incorporei. Agora serei mesmo minha, só minha. Serei… Até o dia seguinte, que sem querer me levou até ele. O dia seguinte que a gente acha que é coincidência, porque não pode ser tão certo assim te encontrar tanto e te encontrar agora. Encontrei (de novo) aquele que não conhecia. E conheci. E a vontade de não ser só minha ressurgiu, porque a conversa com sorrisos foi de sorrisos de verdade. Ah acaso… Por pouco perderia a chance de te conhecer.