Uma louca, neurótica, ciumenta me ligou às pressas fazendo mil perguntas e me xingando nos intervalos das respostas. Certa altura da conversa eu já estava cansada de explicar que eu só estava ligando para o namorado dela para perguntar se topava uma cervejinha nas mesinhas de madeira lá embaixo, com todo mundo, gente amiga, gente sociável, sem neurose e boca suja, mas não deu certo. Fiquei com o coração mole, me deixei levar pelo desespero daquela voz fina e desesperada. Pedi desculpas, prometi que não ia mais ligar, compreendi as outras.

Meu grupo de amigas caiu pela metade depois de alguns namoros vingarem. Sinto falta de algumas, mas a resposta é sempre a mesma: não podem. Deixei de lado, saí com amigos homens, bebi com eles. Me libertei xingando casais bundões, reclamando de alianças de prata e do instituto namoro. O que há com a gente? Esquecemos o que é estar junto. Sonhamos em encontrar a pessoa certa, para mudá-la completamente e transformar naquilo que é mais cômodo. Não sei ser assim, não sei ter alguém grudado a mim. Não sei sair para jantar sem ouvir as histórias do Fulano que encheu a cara, Ciclana que você ainda não conhece, mas conta ótimas piadas. Beltrano, eu não sei gostar de quem não vive! Nem mesmo de mim.

O mundo então virou. É muita gente que não sabe amar com aquele espaço para amar a si mesmo. Vivemos nos escondendo em status de internet, colegas de trabalho, históricos não-salvos. Mesmo?! Serei mesmo essa louca, vagabunda, mal amada e encalhada, porque convido gente simpática pra uma cervejinha nas mesinhas de madeira lá embaixo?